" Você está para fazer 82 anos. Encolheu 6 centímetros, não pesa mais do que 45 quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz 58 anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca."
Dorine e Gorz cometeram suicído juntos em 22 de setembro do ano passado, um ano depois de Gorz escrever a carta. Dorine tinha uma grave doença degenerativa e, para Gorz, não haveria vida sem amor.
(Annablume/Cosac Naify, 112 págs.)
Apr 19, 2008
Apr 3, 2008
você quer me namorar?
“E então, você quer me namorar?”
Vão dizer: “Nossa! Que demodê!”
Pode ser, mas sempre me acontece, de me envolver, e o gajo querer saber.
Ouvi diversas versões, nos momentos mais variados.
Com alguma coisa em comum, daqui do meu olhar:
São, invariavelmente, precipitadas...
E isso me assusta! De um jeito que me assusta o tanto que eu me assusto!
Quer dizer, era pra ficar contente! Acreditar que eu sou uma pessoa arrebatadoramente namorável! Mas, não sei por quê, acabo acreditando ao contrário: esse gajo não me conhece! Por isso quer me namorar. E se conhecer? E quando conhecer? Será que vai me abandonar?
Sem querer dizer que, pra mim, namorar não é se conhecer. É mais, é já se querer!
É sério e exige cuidado, atenção!
Não uma coisinha à toa, um cinema, um butiquim...
Então, difícil pra mim o tal do sim...
Vão dizer: “Nossa! Que demodê!”
Pode ser, mas sempre me acontece, de me envolver, e o gajo querer saber.
Ouvi diversas versões, nos momentos mais variados.
Com alguma coisa em comum, daqui do meu olhar:
São, invariavelmente, precipitadas...
E isso me assusta! De um jeito que me assusta o tanto que eu me assusto!
Quer dizer, era pra ficar contente! Acreditar que eu sou uma pessoa arrebatadoramente namorável! Mas, não sei por quê, acabo acreditando ao contrário: esse gajo não me conhece! Por isso quer me namorar. E se conhecer? E quando conhecer? Será que vai me abandonar?
Sem querer dizer que, pra mim, namorar não é se conhecer. É mais, é já se querer!
É sério e exige cuidado, atenção!
Não uma coisinha à toa, um cinema, um butiquim...
Então, difícil pra mim o tal do sim...
Irmã mais velha, irmã mais nova...
Ela é assim, como uma irmã pra mim.
Às vezes, uma irmã mais velha.
E cada conselho que ela me dá, mesmo sem perceber que me aconselha, tem peso de ouro nas minhas decisões e elucubrações.
E cada consideração é ouvida e repensada várias vezes, e citada com o grau de doutora que entende do assunto.
E cada pequena frase, cada história triste ou bonita, cada pensamento vira, pra mim, um ensinamento.
Às vezes, é minha irmã mais nova.
E cada lágrima que ela chora é um turbilhão de emoção dentro de mim.
Cada insegurança, cada crise, cada silêncio prolongado, cada medo, uma preocupação, um pesar no meu coração.
Cada vez que ela reclama, me sinto impotente, e quero mudar o mundo pra ela passar.
Ela é assim, uma parte de mim.
Onde quer que ela esteja, em qualquer lugar do mundo.
Muitas vezes é minha palavra, minhas sensações.
E quando a gente se encontra, parece que o tempo não passou.
Mesmo assim, a gente finge que não se precisa tão perto. Afinal, somos irmãs. Amor incondicional que tudo perdoa.
Ela é assim pra mim, mas eu não sei se ela sabe.
Não sei se sabe que é assim.
Então deixa eu te dizer:
Eu não gosto quando você vem aqui e a gente não consegue nem se ver!
Me põe aí, na sua lista de prioridades, que é pra eu não brigar com você.
E deixa eu te dizer mais:
Comigo você não invente de brigar não, viu? Que, se não, eu te pego pela mão e te levo pra tomar um sorvete. Ou faço birra até você resolver me dar atenção!
E digo mais:
Pode fingir que não se importa,
Fazer cara torta, manha, voz de indignação.
Você sabe que é minha irmã.
Ninguém te/me tira isso não.
Às vezes, uma irmã mais velha.
E cada conselho que ela me dá, mesmo sem perceber que me aconselha, tem peso de ouro nas minhas decisões e elucubrações.
E cada consideração é ouvida e repensada várias vezes, e citada com o grau de doutora que entende do assunto.
E cada pequena frase, cada história triste ou bonita, cada pensamento vira, pra mim, um ensinamento.
Às vezes, é minha irmã mais nova.
E cada lágrima que ela chora é um turbilhão de emoção dentro de mim.
Cada insegurança, cada crise, cada silêncio prolongado, cada medo, uma preocupação, um pesar no meu coração.
Cada vez que ela reclama, me sinto impotente, e quero mudar o mundo pra ela passar.
Ela é assim, uma parte de mim.
Onde quer que ela esteja, em qualquer lugar do mundo.
Muitas vezes é minha palavra, minhas sensações.
E quando a gente se encontra, parece que o tempo não passou.
Mesmo assim, a gente finge que não se precisa tão perto. Afinal, somos irmãs. Amor incondicional que tudo perdoa.
Ela é assim pra mim, mas eu não sei se ela sabe.
Não sei se sabe que é assim.
Então deixa eu te dizer:
Eu não gosto quando você vem aqui e a gente não consegue nem se ver!
Me põe aí, na sua lista de prioridades, que é pra eu não brigar com você.
E deixa eu te dizer mais:
Comigo você não invente de brigar não, viu? Que, se não, eu te pego pela mão e te levo pra tomar um sorvete. Ou faço birra até você resolver me dar atenção!
E digo mais:
Pode fingir que não se importa,
Fazer cara torta, manha, voz de indignação.
Você sabe que é minha irmã.
Ninguém te/me tira isso não.
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