Ela é assim, como uma irmã pra mim.
Às vezes, uma irmã mais velha.
E cada conselho que ela me dá, mesmo sem perceber que me aconselha, tem peso de ouro nas minhas decisões e elucubrações.
E cada consideração é ouvida e repensada várias vezes, e citada com o grau de doutora que entende do assunto.
E cada pequena frase, cada história triste ou bonita, cada pensamento vira, pra mim, um ensinamento.
Às vezes, é minha irmã mais nova.
E cada lágrima que ela chora é um turbilhão de emoção dentro de mim.
Cada insegurança, cada crise, cada silêncio prolongado, cada medo, uma preocupação, um pesar no meu coração.
Cada vez que ela reclama, me sinto impotente, e quero mudar o mundo pra ela passar.
Ela é assim, uma parte de mim.
Onde quer que ela esteja, em qualquer lugar do mundo.
Muitas vezes é minha palavra, minhas sensações.
E quando a gente se encontra, parece que o tempo não passou.
Mesmo assim, a gente finge que não se precisa tão perto. Afinal, somos irmãs. Amor incondicional que tudo perdoa.
Ela é assim pra mim, mas eu não sei se ela sabe.
Não sei se sabe que é assim.
Então deixa eu te dizer:
Eu não gosto quando você vem aqui e a gente não consegue nem se ver!
Me põe aí, na sua lista de prioridades, que é pra eu não brigar com você.
E deixa eu te dizer mais:
Comigo você não invente de brigar não, viu? Que, se não, eu te pego pela mão e te levo pra tomar um sorvete. Ou faço birra até você resolver me dar atenção!
E digo mais:
Pode fingir que não se importa,
Fazer cara torta, manha, voz de indignação.
Você sabe que é minha irmã.
Ninguém te/me tira isso não.
Apr 3, 2008
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