Jan 31, 2008

preguiça...

Muitas mulheres na minha família.
Famílias com muitas mulheres prezam muito o estado civil. Ainda que saibam que em si nada vale.
Mulheres da minha faixa na minha família sempre querem me casar. Sempre têm pra mim o par perfeito. Ele, o definitivo.
Preguiça.
O último? Pela Internet. Email.
Muita preguiça.
Sem cheiro. sem rosto. sem olhares.
Conto minha vida em palavras azuis, sem entonação. Sem concatenação com o momento, com o anterior. Sem saber o que é importante dizer e o que vale a pena calar.
Às vezes são perguntas por demais íntimas para que eu o diga a um estranho.
E os parágrafos fazem conexão com uma mensagem anterior, não com os precedentes e antecedentes. Quando há parágrafo.
Tenho preguiça. De pessoas que escrevem sem ponto. E sem parágrafo.
Leio a vida de alguém que não tem cheiro. Não tem voz. Nem cor.
Fragmentos de uma história da qual eu não faço parte, a não ser como leitora, na qual eu não posso interferir, a não ser como uma voz externa. Que quiçá será escutada.

Medo? Não. Esse passa longe.
É preguiça. Mesmo. Desencanto.

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