Nov 28, 2007

Observo minha loucura

Tive momentos tensos de loucura dentro de mim ontem.
Não queria ter criado expectativas sobre a história. Não deu. E deu no que deu: eu me percebendo meio louca, meio entregue e sem forças para me proteger como antes. Por proteger leia-se: oferecer sem entregar, observar sem olhar, tocar sem pegar, nas palavras de uma fada. Foi assim que sempre fiz. E a impressão era de que a queda era mais suave, quando acontecia.
Acontece que o menino parece ter uma percepção extrasensorial do que se passa comigo, e eu acho isso meio fantástico e meio amedrontador...


A fada me diz:
Sobre a versão você em crise, nem sei muito o que dizer... só acho que foi justamente o evitar (substantivo) que te levou pra onde você menos queria. Como sair dessa? Eis a questão... qualquer pessoa pode te ajudar, menos o menino, eu acho. Ainda que tenha poderes extrasensoriais, ele é parte do jogo... não dá pra brincar de ser centroavante, bandeirinha, juiz e locutor ao mesmo tempo.


E eu digo a ela:
Sim, foi o evitar. Mas é que antes eu evitava tão bem...
Mas quando digo dos poderes do menino, é só que ele percebe quase que no olhar uma certa reticência amedrontada da minha parte. Não converso com ele sobre isso, não. Acho o mesmo que você, que não dá pra ser tudo. Vou vivendo cada passo, observando a loucura e respirando.
Ontem, não sei por quê, achei que ele tinha desencanado. Não tinha nem visto o menino. Achei dentro da minha cabeça, no meio da tarde. Daí, fui malhar cabreira, com a tal da reticência amedrontada. Sente ele a reticência e, natural, retribui com seriedade também reticente. Resultado: ficamos os dois nos olhando cabreiros por uns minutos. Até que ele vem e pergunta: Tudo bem? Tá séria... E eu digo: Você também. E ele: então acho que nós dois tivemos percepções erradas um do outro. Tô felizão, tô te vendo!
E o coração relaxa.


E a fada aquiesce:
É... definitivamente louca.
E o pobre do coração é que sofre, tadinho.

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