May 29, 2009

Comecei

escrevi:

“Parei de escrever. E isso me angustia. As palavras, recentemente, me saem em línguas estrangeiras, ou por deveras formais, salvo as cartas para minha mãe, ainda escritas como antigamenteSão sempre Would you be so kind. Je vous prie de bien me faire parvenir. Sincerely yours, Mes meilleures salutations. Business cliché, para combinar as duas línguas que me dominam.”

 

Tento seguir. Cartas que troco com minha mãe, desde temposmuito idos, por que estávamos sempre ocasionalmente distantes. Mamãe achou umas cartas antigas, minhas, e me-as mandou. São do tempo em que eu fazia faculdade, 13 anos atrás. Antes mesmo de Londres, Letras, Línguas e tantas outras andanças. Um tempo em que a jornada era quadrupla – três empregos mais faculdadeum tempo em que eu dizia “não quero relações rias por  um certo tempo. Essas histórias de coração às vezes cansam, apesar de que – tenho que admitir, preciso delas.” (Yes, I have changed, but I am still the same...)”  - era a época em que eu vivia a relação que acreditei ser “o amor de minha vida” (sem saber que o amor da vida é aquele que a gente se propõe a amar). Dizia eu que era uma fase de transiçãonão são todas? Fases pelas quais transito, às vezes , às vezes mal acompanhada, às vezes acompanhada, mas sempre aprendendo a jogar.

 

Na época eu descobria como minhas paixões aquelas que nunca canso de descobrir: cinema, literatura, línguas, imagens e costumes (eu sempre acho que isso tudo é novidade, sempre). Digo à mãe que quero ir morar na Espanha, por que eles trabalham de 10 às 14, param durante 3 horas para o almoço, retornam às 17, trabalham até às 20, descansam um pouquinho e baladam até mais de madrugadinha, sem a preocupação de acordar às 7 no dia seguinte. E essa semana leio, na aula de francês, que o governo espanhol se esforça para se adequar à work week estilo mundo capitalista moderno. Motivo? Não entendi muito bem... Acho que nem tentei... Os espanhóis é que são felizes...

 

Na época, aindaadolescente”, eu queria viver tudoaomesmotempoagora. Elocubrava, viajante: “Fico pensando como é limitado viver o aqui (grifo nosso), sem saber que outras possibilidades existem.” (quem eu era essa?)

 

O que segue é uma viagem alucinógena de uma mente que não usava drogas (sempre fui meio caretinha, apesar de fazer o tipo “descolada”). Me desnudo? La vai:

 “Fico puta com a castração que é a vida moderna num país desenvolvido. Se é que se pode chamar isso de vida. Subdesenvolve-se num país sobrevivido.A vida passa a ser IMAGINADA. Imagem e nada. Imagens da vida. Imagina? Para alguns, a imagem da pobreza – a que incomoda, que é nojenta, não faz parte do meu mundo. Imagino. Para outros alguns a imagem inalcançável, a  promessa  do descanso que essa imagem faz: a vida. O mundo. Qual mundo? O mundo da TV? Imagens. A imagem de dentro do carro, de dentro da janela. A imagem da cara feia, da cara de medo, do ser igual-diferente..”.

 

(Nossa... )

Eu tinha 21 anos. E acreditava que a esquerda existia para mudar o sistema, e não sucumbir ao poder

May 25, 2009

Por impulso

Mas escrever é assim como um impulso. De repente, sai. Ou começa. E não para mais. Vai indo até chegar no ponto final, até achar que disse tudo, ou que se disser mais, vai estragar. Estragar o texto, a geografia das palavras. Estragar a poesia.

Escrever sempre foi assim. Construir com palavras. Palavras escolhidas para a combinação mais bonita entre som e significado. Entre contexto, entrelinhas e mensagem. Cheguei a pensar que a tristeza me traria esse impulso: sadness, sorrow and suffering were the real nourriture, the substantial muses a impulsionar o ato, a criar a necessidade e a ser, até mesmo, a própria necessidade a querer sair, se expulgar.

Enganei-me. Não é assim.

Pensei que fosse a vida a matéria principal do ato de escrever. Não. Ou a intensidade da experiência vivida. Também não. Por esse tempo todo de silêncio, tenho vivido. Intensamente. Em plena variedade, uma enorme gama de sensações, emoções e vivências: de angustia e tristeza profunda à plena felicidade, êxtase, alegria gargalhante, sem deixar de passar por contemplação, silêncio, solidão, solitude, tédio e apatia. Até paixão, e amor consolidado, ciúmes e traição. Tudo. Do grande ao pequeno, do cinza ao cor de rosa.

Oito meses que não escrevo. E não escrevo por que acho que deixei de pensar em palavras. Tudo foi e tem sido tanto que não me vêm as descrições. Palavras faltam. Ou não descrevem. Velho dilema. Diz-me Saramago que isso “é assim, salvo seja, como uma invalidez da linguagem, não é querer dizer amor e não chegar a língua, é ter língua e não chegar ao amor.”

So, not being able to write, I quote.

Pelo menos voltei aos livrosler ainda sou capaz... 

May 5, 2009

I want!


I want a shot of JD
I want a bear hug.
And Prince Charming phone number.
I want it to be the weekend already.
And I want to be in bed right now!
I want somebody to say: I LOVE YOU
And I want to say I LOVE YOU back, with all my heart, stomach and soul. 
I want things to be ok, and i want all the problems to melt away, like snow on the first sunshine of spring. 
I want my mom. 

I want to be able to write again...  



Nov 24, 2008

Numa latinha de Coca, em Barcelona

TOMA LA CALLE
Saca al perro,
ponte los patines
guiña un ojo,
disfruta del sol.
Vete de compras
queda con ella, o con él, o con todos,
siéntate o muévete,
mientras hablas, bebe
cuando caminas.
La calle es espontánea,
divertida y llena de collor.
Hasta donde vas a llegar hoy?

Voy contigo

Oct 24, 2008

Não sei se compro um carro ou uma bici. Que caso, já me decidi, só falta encontrar o doido.
Mas, enfim, pra receber mamãe, arranjei uma Beemer cocota, 22 aninhos! 11 mais nova do que eu. Mesmo assim, direção macia, automática, radiozinho maneiro... um xuxu!
Aproveito pra experimentar como é ter um carro aqui, essa cidade pequena onde tudo é próximo, mas que tem um sistema de trasnporte meio ilógico, ainda que eficiente. Não tenho vontade (250 por mês pra parar o carro no trampo?). Achei que seria pega pela necessidade. Mas também não...Talvez, se eu experimentar facilidade, amoleça, e decida. Se não, quem sabe o consumismo me devore? Como seria ter uma beemer pra mim? Ou um Alfa Romeo MiTo? Ou mesmo um jeepinho, ou uma Mini Cooper... Sei não... ando muito desapegada ultimamente.
Mas isso já é assunto do próximo post.
Vou eu, de BMW, buscar mamãe e namorido no aeroporto.

Oct 17, 2008

Meus passos e o Bono

Hoje de manhã caminhava de casa para o trabalho, como tenho feito desde que me mudei.
As folhas já caem por aqui, cedendo aos apelos do Outono.
No ouvido, Bono me dizia “What you don’t have you don’t need it now”.
True. Tudo o que hoje preciso, tenho.

Tenho uma casa e uma cama pra dormir. Nothing more than this.
I don’t have a car, or chairs, or a dinner table. Not even a bedside table. I don’t have internet connection at home, neither a TV nor a DVD player. But I also don’t have my DVD collection, or any movie I’d like to watch now. Or the time to do it.
I don’t have my nails done weekly anymore, and they look just fine to me.
I don’t have many clothes or shoes, and, even though, I can wear a different one every working day for a week.
I don’t have my celphone that is also a music player (baladeur, en français), mas os meus ouvidos estão tomados por outros sons. E também, meu telephone aqui nem toca…
Mas eu tenho um aparelhinho que conta meus passos. Me diz todos os dias o quanto eu caminhei por aí...

Oct 10, 2008

Believe!

I believe in love, first and foremost.
I believe that only good things will happen to me.
And that everything happens for a reason.
I believe that when we do things right, the right things come our way.
I believe in doing good.
I believe in the tooth fairy, and in my Fairy Friend.
I believe the moon watches over me.
I believe in the wind that blows every now and then, turning things over and changing the air around us.
I still believe in the human kind, and in the kindness of the human heart.
I believe a good night out on the dance floor heals almost everything.
I believe in the power of believing.
And in the power of a smile.